domingo, 8 de fevereiro de 2009

Esperança

Enquanto acompanho pela televisão e pela internet, aos pedaços, a posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, tento explicar à minha filha de 18 anos, estudante de comunicação, como funciona a política naquele país.

Nem sei se é relevante o que eu digo a ela, afinal, na maior potência do mundo só se é democrata ou republicano, o que, em princípio, facilitaria as coisas. Mas, ao contrário, restringe; e tudo que restringe exclui. Acho que me enrolo um pouco nas informações, mas minha intenção é fazer com que meu curioso e jovem rebento se interesse pela importância dessa posse.

O presidente da maior potência mundial é muito mais do que o homem que pode mandar apertar o botão (depois de anos repetindo isso, nem sei mais se é um botão, um chip ou um pensamento p0residencial que pode detonar bombas nucleares). É o personagem que irá ditar as regras para a política e a economia mundiais dos próximos anos. E as regras das guerras. E as regras da economia para o Terceiro Mundo.

Há esperança em Obama. Os americanos, 80% deles como informou há pouco o repórter, confiam nele. O medo de o sonho acabar é real nas pessoas. E se ele for assassinado porque é o primeiro negro a ser eleito para a Casa Branca?

Cruzes, melhor nem pensar! Afinal, o sobrenome dele não é Kennedy.

A novidade é um baita susto mundial. E eu fico imaginando a cara dos europeu-descendentes americanos ao terem que aceitar que a sua vida vai ser regida por um negro. Um negro de nome muçulmano. Um negro democrata de nome muçulmano. Que delícia! È democracia demais para mim!

Enquanto acompanho o desenrolar do dia da posse pelo meu provedor de internet, vejo a minha filha lançar olhares para os flashes na TV. Logo mais à noite, quero ver com ela a cobertura completa e, amanhã, ler cada linha do discurso de posse.

Neste momento, minha filha está séria. Escuta o que ouve e absorve com os olhos o que lê. Depois, se vira para mim e diz: “Mãe, você fez a bagunça para me explicar o sistema político americano. A coisa é bem mais simples”.

Que alívio! Ainda posso acreditar que o Brasil também está na lista da esperança!

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