terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Superstição


Internet - Google Imagens

Não, definitivamente, superstição é coisa de gente que não tem o que fazer. Superstição para quê? Nenhum de nós, pessoas esclarecidas, pode concordar em conviver, em pleno século XXI com tais crendices!

Você é do tipo que abomina as superstições? Nada de três batidas na madeira, nem de beber água com o copo ao contrário para cortar o soluço, nem de passar embaixo de escada, nem de acreditar que quebrar espelho dá sete anos de azar? Puxa, que bom!

Já pediu namorado ou namorada para Santo Antônio na véspera de 13 de junho, dia consagrado ao franciscano? Evitou ser o terceiro a acender um cigarro na chama de um mesmo fósforo? E os cabelos, só corta na lua crescente e nunca na minguante? Arrepiou de repente por que a morte passou perto? Ai, ai, ai...

Tem gente que não bebe se não der primeiro para o ‘santo’, não vai ao estádio se não usar a mesma camisa, que não sai de casa sem uma figa ou uma ferradura pendurada em algum lugar (eqüinos não estão incluídos nesta categoria).
Você que me lê: você acredita em horóscopo? Não? E nem acende um incenso de vez em quando com a desculpa de que “o cheirinho é bom” - e nunca para 'limpar' o ambiente? Hum... então deve ser de Capricórnio, cético, cético!

Pelo menos você é daqueles que desviam de gato preto? Ou é dos que deixam as borboletas pousarem na mão, ou no ombro, porque é sorte na certa? E se sonhar com 57 garrafas boiando numa piscina suja vai fazer faz uma fezinha no jacaré “porque 57 é centena do bicho e a piscina suja quer dizer um pântano”, como afirma um amigo? Bom, é claro que há outra opção. Some 5+7 = 12, tire os noves fora e fique com o resultado de 3 = burro na cabeça! Se for do tipo insistente, aceite também o palpite do 12, que é uma das dezenas do quadrúpede!

Sal grosso, contra mau-olhado, vassoura atrás da porta, de cabeça para baixo, para espantar visita indesejável. Aliás, de vassoura ainda tem mais uma, bem mineira: é proibido varrer a casa depois das seis da tarde, porque dá azar (não me lembro bem se é porque afasta dinheiro, ou porque chama a morte). E nunca, nunca abra um guarda-chuva dentro de casa, porque traz desgra... Opa! Essa palavra não pode ser dita, nem escrita, porque vem galopando para a vida do pronunciante!

A palma da mão coçou, é dinheiro (ninguém especificou quanto). Mordeu a língua, tem alguém falando mal de você. Viu estrela cadente, tem que fazer um pedido (e não contar para ninguém até acontecer). Boca de mãe – ui! - não falha nunca!

Minha única tia ainda viva não consegue dormir com nenhum pé de sapato perto da cama. Explico melhor: os sapatos podem estar no chão do quarto, mas jamais ao redor da cama. Ela acorda sufocada e grita (sem olhar para o chão): “tira o sapato de perto da minha cama!”. Experiências feitas por mim e minhas primas comprovam o fato e os cascudos recebidos.

Condicionamento, bobeira, crendice, intuição, não importa o nome. A gente se convence de que supersticiosos são os outros, de que não-fidedignos são os outros, de que tolos são os outros. Apenas porque as nossas superstições já atingiram o nível mais sofisticado e culto das "manias e hábitos", separamos o 'eles' do 'eu'.
Por falar nisso, outro dia, o ‘eu’ que me pertence já tinha descido as escadas do prédio para ir trabalhar, quando se lembrou que não tinha dito para o cachorro: “Eu volto, viu, se Deus quiser”. Subiu as escadas de volta, abriu a porta e repetiu o mantra canino martelado nos últimos 10 anos. É que das poucas vezes em que este ‘eu’ que me pertence esqueceu de dizer essa frase, desse exato jeitinho, as coisas ficaram bem complicadas (para mim, não para o cachorro).

É óbvio que me resta o argumento da pura coincidência. Mas coincidência já é assunto para uma outra conversa.

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