sábado, 21 de março de 2009

Escorro

Sangro todos os dias.
Em minúcias,
filetes,
consequências.

Sangro vermelho,
sangro luto,
sangro hormônios.
E me corrompo por qualquer sorriso.

Por um afago,
Por um aceno breve,
Por um beijo que faz falta,
faz tempo,
faz bem.

Sangro em perspectivas.
E meu corpo revela os desejos.

Em corte pelas vontades do dia.
Em jorro pelos pecados noturnos.
Em cicatriz pelas lembranças eternas.

Sangro todos os dias.
Em coágulos,
manchas
inconsistências.

Um comentário:

  1. Cinthia,

    Estou surpreendida com a sua veia poética, eu que só conhecia seus contos.
    Desta série de poemas, considero este o mais belo.
    Bj
    Luci

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