domingo, 12 de abril de 2009

Perdoei-te tudo

Autora Convidada

Yara Depieri é servidora da Câmara dos Deputados e atua no Centro de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento, do qual foi diretora. É formada em Letras e em Pedagogia, na área de Administração e Supervisão Escolar. Tem também formação em Psicodrama Pedagógico e possui duas Especializações, uma delas em Fernando Pessoa.
Mas Yara é muito mais que esse amontoado de títulos e responsabilidades!
Além de minha amiga querida, é poeta, boêmia, amante dos bons vinhos e de uma boa música, especialmente aquela vinda dos violões. Realiza em sua casa saraus literários expressivos, onde as pessoas se sentam em grandes almofadas, à luz de velas, e compartilham diferenças, crenças, literatura e música até o dia amanhecer.
Calada, suave, atenciosa e humana não demonstra de quantas emoções mais é feita. Deixa florescer a sua sensibilidade em lágrimas escondidas ou entregando-a aos amigos.

Ou quando nos empresta textos como estes, que falam sobre o amor e contam sobre a sua alma entregue.
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Perdoei-te a digna distância e a desesperadora dor,
Perdoei-te o delirante descaso e o desesperador ardor.
Perdoei-te o ardiloso abandono e a angustiante ausência,
Perdoei-te a imensa indiferença e a insana irreverência;

Perdoei-te a sedenta saudade e a sofrida solidão,
Perdoei-te todo desencanto e a total desatenção.
Perdoei-te tudo porque tudo te quis perdoar;
Perdoei-te a incompetência: o não ser capaz de amar.

Perdoei-te as falsas palavras e as vãs expectativas,
Perdoei-te as infindas promessas já tão pouco criativas:
Perdoei-te o “me espere, eu volto” e o “sempre seremos um”
Perdoei-te tanta sandice, tanto lugar-comum!

Perdoei-te as lágrimas – todo pranto devoluto,
Perdoei-te, das mágoas, o infindável e perigoso intuito,
Perdoei-te o grande sonho previamente destruído;
Perdoei-te o fingido desejo, já, então, tão descabido.

Perdoei-te tudo e a tudo eu quis perdoar;
Perdoei-te a petulante ousadia de novos rumos buscar.
Perdoei-te quando inconseqüente tentaste te aproximar,
Perdoei-te as pás de terra que me fizeste assentar,

Perdoei-te a sanidade que me fizeste abandonar,
Perdoei-te o descaminho que me obrigaste a trilhar,
Perdoei-te tudo! Não cansaste de brincar?
Perdoei-te tudo... já não posso perdoar...

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