sábado, 18 de abril de 2009

Quebra de rotina

Foto: Google Imagens


Basta uma coisa nova na vida da gente para a nossa rotina se alterar impiedosamente. É um filho que está com sinusite, uma amiga se separando do marido, um colega que convoca nossa ajuda a um projeto, e pronto! Lá vamos nós revirar o nosso dia a dia tão meticulosamente traçado!

Convenhamos: mudanças ocasionais de rotina são até engraçadas (se não se tratar de morte ou doença). Ocasionais, eu disse. Nada além de um dia, uma semana, estourando uns 15 dias de mudanças.

Mas quando a vida tranquila que gente construiu é puxada pelo pé e perde o equilíbrio, lá vem uma sensação de “socorro” ou de “ai, meu Deus” que a gente não consegue apaziguar facilmente. E nem quer.

Rotinas são hábitos construídos a partir de crenças, vontades, medos, complexos, inseguranças, necessidades, opções, vibrações e análises. São coisas que dão em todos nós. Eu escovo os dentes todos os dias por higiene. Você só se deita depois de rezar porque senão não consegue dormir. Eles abrem todas as janelas da casa assim que se levantam, para arejar o ambiente. Eu e você só fazemos compras em dias preferidos, vamos ao clube num horário sempre igual, usamos o mesmo tipo de roupa, comemos as mesmas coisas.
E ainda tem o 'jeito de ser', aquele que cada um tem o seu e não quer mudar. Só saímos para um barzinho ou pra dançar nos dias em que estamos mais magros, não choramos na frente dos outros porque pode pegar mal, não perguntamos como o outro está passando porque não queremos ser invasivos. Fazer o quê!

Todos nós temos rotinas e 'jeitos de ser' em maior ou menor grau. De uns, podemos abrir mão. De outros, não queremos. São as rotinas prediletas, aquelas que cultivamos com mais empenho, as que têm maior significado, as que protegem mais e melhor a nossa retaguarda. É o nosso jeito de ser metódico, ou discreto, ou alegre, ou confiante, aquele que nos faz encontrar nossas ‘zonas de conforto’.

Minha rotina predileta é a invisibilidade... ou isso seria um jeito de ser? Ah, sei lá! Só sei que é uma capa de poderes mágicos que construí para mim e que me permitiu assumir os meus próprios cordéis. É uma rotina defensiva, concordo, mas tão boa quanto qualquer outra.

No entanto, chega agora a hora em que a vida me oferece mudanças mais duradouras. No trato que acabei de assinar, fica explícito que preciso me desfazer da invisibilidade. E isso me traz, repentinamente, uma TPM fora de época!

Sair para a luz é um ato doloroso; mesmo que seja luz. Mas, se tem que ser, então... allons-y! Que se faça dia!

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