domingo, 12 de abril de 2009

Um sonho ... somente! Um sonho só... mente!

Yara Depieri
Autora Convidada

Se sonho com seu cheiro presente,
Meu corpo, outrora doente,
Torna-se logo consciente
Da dor, agora mais, renitente.

Da dor aguda no baixo-ventre,
Da vontade dele - vontade premente-
Da vontade dele que, resistente,
Se apresenta, então, indiferente.

Da vontade de cravar um só dente,
No seu corpo que, indolente,
Não se permite ser diferente,
E se mostra muito mais paciente.

Em meu sonho me revelo docente,
E curvando-me, então, lentamente,
Conduzo-o na busca, (in) consciente,
De um prazer muito mais que decente.

Imagino, além do beijo, seu ventre,
Num compasso remetente,
No meu corpo, ainda demente,
Debruçar-se reticente.

Seu corpo, afinal, meu discente,
Num instante, mas não num repente,
Baqueia... segura ... e, enfim, sente...
Transforma-se numa vertente.

Desaba, agora já, incontinente,
Pois sabe ter sido indecente,
Constata que foi veemente,
Que meu corpo, arriado, não mente.

Acordo sozinha e, assustada mormente,
Me ergo inteirinha dormente,
E, a uma ducha gelada, ressente
Meu corpo iludido somente.

Um comentário:

  1. Que lindo!! Li com a respiração presa do iníco ao fim!
    Às duas poetas e mulheres incríveis, minha admiração e carinho.
    Juliana.

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