sábado, 18 de julho de 2009

Acabo de receber o telefonema de uma amiga, cujo marido está com câncer. Não sei se é caso terminal, porque sobre a vida e a morte decide Deus, ou quem quer que seja que cada um de nós acredite existir além deste mundinho tão grande e tão finito.

Mas não quero passar o sábado escrevendo sobre uma coisa tão triste. Prefiro falar, isso sim, sobre a fé das pessoas.

Minha amiga me conta que chamou uma “rezadeira poderosa”, conhecida em toda Brasília. De cara, tenho vontade de rir. Não acredito em rezadeiras que falam em “encostos” e “setas do mal” lançadas de um ser humano para outro. Não acredito mesmo. Mas acredito na fé. E fé, cada um tem a sua. Na divindade, numa pedra, num deus-sol, ou num deus-bicho. Crer é entregar a confiança a alguém ou alguma coisa. Cada um entrega a sua a quem quiser, como quiser!

A fé unicista é perigosa. Nem é fé; é ditadura. Quem não crer da forma como eu creio é infiel, burro, pecador ou traidor. Cortem-lhe a cabeça! - diria a Rainha Má. Que coisa idiota! Idiota e tediosa. Um mundo todo igual, sem discussões, sem discordâncias, sem comparações, sem conflitos. Um mundo alienado e chato.

Não tenho mais vontade de rir da minha amiga. Afinal, pode acontecer comigo. Pode acontecer de alguém também querer rir de mim, das minhas crenças e palavras e atos e omissões.

Eu creio em Deus. Eu temo a Deus. De tanto crer e temer escrevo sempre com maiúsculas iniciais ou de entremeio o nome DEle, ou tudo o que se refira a Ele. Faço o nome do Pai nas portas das igrejas. Ajoelho, mesmo que pela metade, na frente do sacrário. Acredito em vida eterna, inferno, céu e purgatório (este então é o meu preferido).

Não, eu decididamente não quero mais rir da minha amiga. Fé não é pra dar risada.

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