sábado, 12 de setembro de 2009

Amigos, meus queridos amigos

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Existe um prazer imenso em fingir que se sabe o que não se sabe, e um maior ainda em se fingir que não se sabe o que se sabe. No primeiro caso, fazemos inimigos ou, no mínimo, afastamos pessoas. No segundo, fazemos amigos, ou, pelo menos, chegamos perto disso. É o caso da criatura inteligente que se faz de burra, do expert que se faz de aprendiz, da mulher que permite ao homem dominar o assunto, sem jamais competir ou deixar que ele perceba o quanto ela sabe, às vezes, mais que ele.
Hipocrisia? Com certeza, sim! Mas também uma fórmula mágica de convivência neste mundo tão sem jeito para perpetrar e perpetuar relacionamentos.
Pois um viva aos hipócritas!
No entanto, minha paciência para Miss Universo está extinta, há anos. Não sei dizer as palavras corretas, nem congelar um sorriso perfeito. Não por muito tempo. Percebo demais as criaturas, conheço demais suas vaidades e arrogâncias para tentar fingir que vale qualquer coisa para se conseguir amigos.
Amigos não são forjados no fogo da mentira. São pessoas que pulsam, que encantam, que atraem, a despeito de seus erros e pecados. Amigos são defeituosos, errados, imperfeitos, indecisos, loucos, feios, cansativos. Mas nunca para nós. Nunca para mim.
Por isso não concebo garimpá-los em qualquer bar, festa, blog ou encontro casual. Porque amigos são processos: graduais, lentos, ajustáveis, analisáveis, avaliáveis.
Não estou à procura de amigos. Ninguém está. Na verdade, apenas as almas sozinhas procuram e aceitam qualquer um como amigo. Porque não percebem que ‘qualquer um’ é apenas mais um jeito de preencher carências.
Meus amigos me bastam, me fazem feliz. E se existem em minguado número, que seja assim pelo resto da minha vida, porque ainda estarei no lucro.
Tenho amigos distantes. Ou porque moram longe, ou porque não me encontro com eles há muito tempo, mesmo morando a apenas um quilômetro de distância. Entendem meu isolamento, respeitam o jeito de ser que escolhi, e as mudanças que me permito, de vez em quando. E eu respeito o mesmo neles.
Por isso tenho amigos bêbados, drogados, santos e inocentes, sábios e tolos. Tenho amigos céticos, crentes, alegres e depressivos, inteligentes e burros. Tenho até amigos cães, daqueles que latem e abanam o rabo. São meus amigos; não importa! Podem ser o que são, sem medo. Eu amo cada um deles, preciso de cada um deles.
Os outros, esses a quem alimento vaidades e arrogâncias enquanto me convém, não são amigos. São experiências.

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