segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Cardumes



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Cardumes são aglomerados interessantes. Vistos do alto, parecem uma mancha assustadora em movimento, um monstro andante, submerso. No entanto, de perto, num prazeroso mergulho feito ao fundo do oceano, é possível enxergar distintamente cada peixe, pequeno ou grande, rajado de cores ou acinzentado, lento ou rápido, voraz ou delicado, predador ou vítima.
Quando juntos, fazem maior a proteção aos ataques de peixes maiores. E, se maiores, mais protegidos se fazem aos ataques dos homens.
Nós, criaturas racionais, deveríamos ser assim.
Nem mais um olhar ao espelho da vaidade, nem mais uma decisão solitária, nem mais um desprezo em relação ao menor, ao mais fraco, ao mais pobre, ao mais feio.
Deveríamos manter por perto os semelhantes. Deveríamos buscar comida em bando. Deveríamos mudar de direção para fugir dos riscos, mas também pela opção do passeio.
Deveríamos. Mas não somos cardumes.
Nosso aprendizado é de separações, e não de abraços. É de meu, e não de nosso. É de sobrevivência, e não de vida.
Porque não sabemos ser cardumes.

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