sábado, 17 de outubro de 2009

Céu em fases


O céu deste sábado tem duas bochechas de nuvens. Daqui de baixo, parece o rosto de um fantasma feito de lençol, soprando um segredo para quem puder ouvir. Tenho fixação por céu, seja sob sol, lua, estrelas, ou sob o acinzentado das tempestades. Acho que o céu é como gente: beleza em fases.

Sinto-me chover quando me assaltam as dúvidas, a incompreensão, o medo, a injustiça. Em tempestade quando me transbordo em raiva, destempero, incontinência de palavras. Já meu céu de sol é pura lassidão, é desejo de apenas me deixar dourar ou aquecer – por dentro, por fora. E o céu de lua me aconchega em poesia, libido, fantasias. Mas, de todos eles, prefiro o céu de estrelas. Porque sou estrelas quando estou amando.

As bochechas agora estão se esvaziando. Terminaram, educadamente, de comer o azul e se preparam, sorrateiras, para abraçar o sol. Eu, aqui embaixo, espero a sombra. Afinal, a sombra também faz parte do céu.

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