quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Aprendendo com o Amor


Mais um texto delicioso da escritora acreana, e minha amiga,
Olívia Maia
que já deveria ter me mandado a crônica há mais tempo. Ouvir falar de um Amor assim tão maiúsculo faz bem a quem o vive e a quem está pelos arredores, como eu, que conheço e admiro o homem que entrega à Olívia tanto respeito em forma de carinho.
Mande mais pedaços da alma como este, amiga! O seu Amor transborda e aquece outros corações! Agradeço, ainda, as palavras tão gentis. Beijocas.
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Acabei de ler uma crônica da escritora Cinthia Kriemler sobre a “Falta de Inspiração”. Ri muito, pois a autora narrava, de forma irônica, o vazio que “ataca” alguns escritores em determinados períodos.
Sentei para fazer-lhe um e-mail, em forma de crônica, tratando exatamente do oposto – um estado de comichão de escrever. Peguei a agenda que fica próxima ao computador, e folheei algumas páginas com diversas anotações – coisas que vi, que sonhei, que me mobilizaram, que achei interessantes, que vibrei, que chorei, ou que de alguma forma me deixou “mexida”. Tantos pedaços, tantos caminhos. Coisas começadas e deixadas para trás. Eram muitos começos sem fim... muitos começos sem meios ... muitos fins sem começo.
Confesso que tomei um susto quando percebi que, muito além de simples anotações, ali estavam meus sentimentos vazando pelos poros, pelo suor, pela saliva, pelos pensamentos, pelo sexo. Eram tantas idéias que pipocavam. Saltitando, ficava difícil de pegá-las, de dar-lhes uma roupagem, de transformá-las em texto.
Li e reli várias anotações. Umas faziam sentido. Outras, mais uma vez ficavam no canto reservado para depois, outra hora, outro momento. Algumas idéias pareciam mostrar algo intraduzível ou inaudível. Apenas minha alma as alcançava. E nos cantos e encantos, enquanto continuava a leitura de palavras, frases, parágrafos, idéias, lembrei-me de um verso de Geraldo Vandré “...quanto mais eu ando, mais vejo estrada, mas se eu não caminho eu não sou é nada...”
Senti a pulsação aumentar. Será que um anjo sussurrou em meu ouvido a tradução de tantas anotações? Será que tantos pedaços de mim passaram com tanta intensidade pela minha condição de eterna aprendiz, de me sentir cada dia menos cheia de conhecimentos e mais cheia de sensibilidade? Pode ser que sim...
E eu que achava que tinha andado tanto, aprendido outras tantas coisas, me percebi, aos cinqüenta e cinco anos, com um vasto caminho pela frente; com uma vontade infinda de ir ao monte mais alto e lançar ao vento coisas do meu baú de inutilidades.
Vasculhei novamente as páginas da agenda, e a palavra amor emergiu como um grande sábio. Então é isso, o Amor – estou amando e perdidamente apaixonada, pensei enquanto sorria como criança frente a uma bandeja de brigadeiros.
Amor por um homem especial que torna grande os pequenos gestos que me fazem feliz - como o de mandar rosas vermelhas nas datas de aniversário de namoro; trazer os mais vistosos girassóis; de me transformar em musa inspiradora em suas poesias; de preparar café das cinco para saborear com tareco (deixando qualquer inglês com inveja); de me servir o melhor macarrão ao alho e óleo numa mesa impecavelmente preparada e adornada com flores; de tocar no violão belas e antigas canções; de procurar sempre um vinho que ainda não conheço; de saber provar lágrimas e lambê-las para que elas não machuquem meu rosto; de beijar minhas rugas achando-as lindas; de ter paciência nas minhas crises de mau-humor; de me fazer dançar nua na chuva mesmo sem chuva; de saber perdoar e pedir perdão; que não me deixa tempo para esperar a morte; que me ensinou a apreciar a beleza de cada fase da lua; que em noite de lua cheia me leva para lugares especiais para vê-la nascer e nos deixarmos ser banhados pelos raios de seu brilho.
Resolvi não enviar o e-mail para minha amiga escritora, com esse amontoado de coisas que fazem sentido apenas para mim. Que pretensão a minha, essa de escrever uma crônica para uma escritora pela qual tenho a maior admiração e respeito, pensava após essa decisão.
Fechei a agenda, fechei o micro. E meu coração manteve-se aberto, transbordando de amor por um homem especial, pela vida.

8 comentários:

  1. Como diz o poeta:"O amor é o que amor faz", e vendo este texto de minha mana Olivia, vejo que realmente o amor faz milagres.
    Viva a vida minha mana e ame intensamente este homem que é teu!!

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  2. Lindo texto, Olívia. Preenchido com sentimentos verdadeiros... recheado de carinho, amor, satisfação, compreensão...É a caminhada na direção e sentido assim, com toda intensidade, da mais pura expressão de amor e companheirismo...
    Beijos nos corações de vocês.
    Milton Filho

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  3. Tia,
    É sempre muito bom ler um texto escrito com alma assim como o seu, pude sentir o pulsar do seu coração. beijos

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  4. bom texto, cheio de emoção e sentimento.

    http://palavrassemjeito.blogspot.com

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  5. Tive o privilégio de ver nascer este amor entre duas almas tão belas e fico muito feliz ao vê-lo florescer na lua cheia. Linda a frase "de saber provar lágrimas e lambê-las para que elas não machuquem meu rosto", entre muitas outras.
    A Olívia é minha convidada da semana no http://velhotaeu.blogspot.com/
    Cadê o livro, Olívia?

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  6. Anônimo8/2/10 13:47

    Esta crônica é uma revelação: de amor, de sensibilidade, de uma escrita gostosa e rica, revelação de uma escritora em ascenção. Com certeza, a resposta à pergunta de Luci Afonso será: o livro vem aí. O baú de sensibilidades terá que ser aberto para espalhar ao vento esses escritos e outras belezas.
    Uma revelação: o "anônimo" que "assina" esta mensagem tem motivos especiais de sentir-se feliz e orgulhoso - ele está dentro desta bela crônica, poética e bela como a autora. E dentro da vida que se tornou minha poesia.

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  7. Belíssimo texto, transbordando Amor e sensibilidade!

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  8. Olivia Maria Maia23/7/10 13:28

    Grata Pri, pelo carinho. São palavras como as tuas, e de outros que por aqui passaram, que me encorajam a continuar na "caminhada". Esse texto faz parte do meu livro que será lançado no dia 17/08 - Em rio que menino nada
    raia não ferra
    Espero ter a alegria de tua presença.
    beijos. Olivia

    PS: precisamos "afinar" nossa união literária.

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