terça-feira, 20 de abril de 2010

Mãe Brasília

Vejo o teu esforço em ser,
Quando tantos te querem fria, te julgam insensível, insensíveis.
Balões que não sobem ao céu,
Tesourinhas que não cortam unhas nem bordados, mas desenham
Avenidas de amplitude, túneis de segredos.
Recordo de ti, ambas crianças,
Irmã mais velha que sou por apenas três anos.
A terra vermelha vivia aos teus pés,
E um azul-picasso acompanhava a tua noite,
Que se fazia de arrepios sobre as peles quentes da brasa vespertina.
Espreito hoje os dias do teu meio século,
Matrona, madura, segura, inquestionável.
Mestra candanga que gargalha em outono,
Óvulo de sotaques, raças, interesses e amores,
Que desabrocha em gente ilimitada.
Canto para ti sem velas, sem festa.
Nem mesmo um laço vermelho ou prateado há em meu presente
Que sequer é dar, pois que só devolve
Colo, alento, olhar atento, histórias de ninar.
È isso, Mãe Brasília, que te quero retornar.

Parabéns, cidade da minha vida! Vivam os teus 50 anos!

Um comentário:

  1. Amei o texto, deveria ter ido pro jornal de hoje. Martha

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