segunda-feira, 5 de abril de 2010

Os inteligentes do Facebook

Então, lá vai você aceitar o convite para participar do tal Facebook. Você já recusou para mais de 10 pedidos de Amigos e conhecidos, mas, finalmente, num sábado ou domingo à toa você se sente tentado e...clica no Aceitar.
No início, você fica meio com cara de bobo, sem saber para que serve este ou aquele comando. Mas como você é esperto, logo, logo aprende mil funcionalidades (esta palavra existe, ou é mais um daqueles neologismos que depois são incorporados, tipo otimizar, disponibilizar?).
Coloca uma, duas, três fotos no seu Perfil. Insere somente os dados que não comprometam a sua integridade, convida Amigos (aqueles, inclusive, que você havia rejeitado antes), recebe convites de outros Amigos que encontraram você por acaso, ou por meio dos outros que você adiciona. Confuso? Nem tanto. E aí vão chegando ainda outros mais, os Amigos dos Amigos.
Interessante, por exemplo, são os estrangeiros: convidam você sem a menor cerimônia, sem nunca terem visto você antes, nem mais gorda, nem mais magra (ah, priscas eras!). E interagem como se você estivesse lá, ao lado deles, mesmo estando a quilômetros – ou milhas – de distância. Eu, por exemplo, tenho adicionados como Amigos alguns israelitas (pelo menos, suponho que sejam, pelos sobrenomes), russos, espanhóis, americanos. Afora o inglês, no qual sou fluente, e o espanhol, no qual me viro, de resto não entendo nada. Nem preciso. A gente se entende que é uma beleza!
Aí, um belo dia, você percebe que alguns dos seus Amigos jogam uns joguinhos. São fazendas, aquários, cidades de bichinhos, uma infinidade de opções. E lá vai você experimentar um ou outro joguinho. Pronto! Viciou-se! Não consegue mais parar de ir dar uma espiadinha no seu jogo, ou melhor, nos seus jogos. São relaxantes, distraem a sua atenção do cotidiano pesado do trabalho e das responsabilidades pesadas da sua vida. Mas, acima de tudo, possibilitam a você interagir, compartilhar, se sociabilizar, construir, se divertir irresponsavelmente. É preciso ter vizinhos para crescer. É preciso ter dinheiro para crescer. É preciso paciência para crescer. É preciso estratégia para crescer.
Nos joguinhos. Do Facebook.
É verdade que o chato disso tudo é que qualquer movimento, decisão, compra ou venda (é dinheiro de mentirinha) passa pelo olhar de todos os Amigos, dos que jogam e dos que não jogam. E que é um saco – literalmente isso: um saco – para quem não joga ter quer ler as mensagens que entram toda hora, sobre jogos de todas as cores, nomes e inutilidades.
E daí?
Você lê que eu ganhei um bônus, que meu filhote virtual, azul e mal acabado, está com fome, que eu mudei de nível, que eu ganhei um coração virtual, flores virtuais.
Eu, do meu lado, leio que a sua filha é linda quando canta, quando dorme, quando toma banho, quando dança; absorvo pensamentos roubados de escritores famosos, escritos com erros por quem os compilou; fico sabendo de dicas de moda que certamente não são para o meu corpo out of fashion; respeito os louvores ao Senhor; e relevo a autopromoção de um monte de gente.
Escuto "de carona" músicas das quais gosto, não clico naquelas de que não gosto, passo os olhos por assuntos que interessam – sem maior profundidade – e deixo para lá os que não me dão vontade. Profundidade não é para o Facebook, ou para o Orkut. Nem o Google vive só de inteligência. Ou de profundidade.
O Facebook é isso: uma feira, uma praça de possibilidades, um emaranhado de interesses e de não-interesses que se cruzam, que se esbarram. É uma avacalhação. Mas é para ser isso mesmo, uma grande e global avacalhação. Facebook é tolerância. Eu posto, você posta. Eu odeio, você também. Ou podemos amar conjuntamente. Não importa.
Porque assuntos sérios não foram feitos para serem tratados no Facebook. Ou melhor, não se você não consegue aceitar todas as respostas, de todas as tribos. Não se você só espera seriedade em troca.
Deus me livre de ser séria no FB! Facebook é a esbórnia saudável, o barzinho virtual, o show de rock em que ninguém se conhece, mas todo o mundo pula, sua, bebe, se encosta, curte e, no final, vai dormir. Até o próximo show.
Triste de quem pensa que está no Facebook para falar sozinho, sem ser incomodado. Para isso, recomendo as salas de bate-papo privadas do UOL, ou de qualquer ouro provedor. Seja assinante, consiga uma, e vá conversar apenas com que você deseja! Geralmente, as mesmas pessoas com quem você já conversa a semana inteira, ecos permanentes. Ou fale apenas consigo mesmo, tipo "pergunto, respondo e concluo".
Apesar de tão explícitas intenções, há os que teimem em fazer do Facebook um lugar-cabeça. Despejam aos montes – tanto quanto os outros despejam as mensagens dos joguinhos chatos e inconvenientes –, mensagens ditadas pelas suas inteligências inconvenientes, pela sua necessidade inconveniente de palco com exclusividade (porque até que palco coletivo é bonitinho).
Experimente só fazer uma pergunta a um desses inteligentes de plantão, umazinha só! Eles não respondem. Fingem que não leram. Ou respondem de forma bem fria, como se dissessem: “Quem deixou você falar comigo?”.
Nesse ponto, você se pergunta como é mesmo que aquela pessoa virou sua amiga no Facebook, e descobre, a-bis-ma-da, que foi ele/ela quem convidou você!!! Descobre também, mais a-bis-ma-da ainda, que muitos desses que convidaram você bloquearam você!
É justo! – foi o que você pensou, não foi? Eles não leem as suas mensagens, mas você também não lê as deles - me diria o seu senso de pacífico equilíbrio.
Mas que justo?! Justo uma ova! Se não é para o sujeito conversar com você
, ler o que você escreve, saber de você – e você fazer o mesmo com ele – para que diabos mandou convite ou aceitou o seu? Quórum, talvez? Plateia para bater palmas? Para que, afinal, está num lugar como o Facebook?!
Anote, por favor, uma fórmula mágica e rápida: vá até o seu Perfil, clique em Amigos, procure os inconvenientes burros que só sabem jogar joguinhos e mandar florzinhas, e depois clique em Excluir. Fácil assim. E indolor.
Não, não se preocupe pensando que a pessoa vai ficar chateada, achando que você a rejeitou! Rejeitou mesmo. Mas bloquear é muito mais humilhante e excludente. Não responder, também. E posso falar com conhecimento de causa, porque pertenço ao lado dos florzinha-coração.
Eu poderia terminar por aqui. Não quero. Não sem dizer só mais uma coisa.
Desconfie de pessoas que precisam ser sempre inteligentes, articuladas, bem resolvidas.
Esses são os burros emocionais!
Hora de trabalhar, trabalhar...Hora de relaxar, pernas para o ar!
(se não é bem assim, adaptei!)

2 comentários:

  1. é tipo um orkut né...
    acho que é por isso que nunca aceitei
    já basta o orkut :)
    Boa semana
    :*

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  2. Lembro que, usavam vibe. Lembram disso? kk
    já basta o orkut. [2]

    Abraços! *:

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