sábado, 25 de setembro de 2010

Medo de gente

Tenho medo de gente que pensa que chorar é fraqueza. Mais medo ainda dos que debocham de quem chora ou se lamenta. “Frescura!”, é como falam dos mais sensíveis.
Imagino, por uns instantes, como fica esse tipo de gente quando lhes morre a mãe, o pai, o irmão, a mulher ou o homem amado. Não choram, claro! Como poderiam? Eles são fortes!
Ou seria, talvez, porque são incapazes de qualquer doação...?
Esses que me dão medo são criaturas que não têm paciência nem tempo a perder com “lamúrias, choramingos”. "Ei! Preste a atenção: o mundo é dos fortes, a vida gosta dos positivos! Os fracos são chatos, incomodam, deviam sumir!".
E a partir dessas certezas idiotas, que eles fabricam, assumem e propagam como verdades absolutas, saem por aí a debochar, ironizar, atacar, subestimar e desprezar os que chamam de “fracos babacas”.
Dizem que o seu voto é babaca, sua tristeza é babaca, sua insegurança é babaca, sua dor é babaca, sua roupa é babaca, seu pensamento é babaca, o seu corpo é babaca, a sua cor é babaca.  Riem, zombam, escarnecem de tudo que não seja espelho.
Porque só eles não são babacas. Eles são os descolados, os vencedores, os espertos, os inteligentes...
Opa! Inteligentes?! Não mesmo!
Gente inteligente tem respeito pelo outro, qualquer outro, até quando discorda.
Gente inteligente deixa aflorar a emoção e a razão, cada uma na sua hora e, às vezes, até ao mesmo tempo.
Gente inteligente sabe que empatia não é apenas colocar-se no lugar de alguém, mas é compreender que esse alguém é o que é a partir de uma história de vida única, de experiências únicas.
Gente inteligente ama. Assim mesmo: ama. Ponto. Não fica por aí selecionando a quem ama, como ama, quanto ama.
Portanto, ser forte não é o que essa turma de arrogantes pensa. Só é forte quem chora, se expõe, pede colo, se entrega. Os que têm inteligência emocional, os que sabem que tolos são os que riem e debocham.
Conheço pouca gente Forte, com maiúscula no adjetivo e na convicção com que levam suas vidas normais. Com altos e baixos, raivas, alegrias, conquistas, derrotas e dias de rotina em que nada acontece.
Desses não tenho medo.

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