sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Feche os olhos... É Natal.

Sem abrir os olhos, sentiu o aroma do assado que vinha da cozinha e teve cócegas no estômago.
Hum...tenho certeza que é pernil... Cheiro de pernil é mesmo uma delícia... Mas, espera aí! Pode ser que seja lombo... Daqueles assados com gordura macia. Ah, mas seja o que for, as batatas estão corando junto, eu aposto! Feitas no caldinho do assado!
Abriu os olhos e ao seu redor tudo era vermelho, verde, prata, dourado. Laços, bolas e guirlandas. No canto, bem perto da janela em retângulo por onde entrava uma lua cheia radiante, a árvore de bengalinhas e luzes coloridas. Muitas luzes. Muitos Natais.
Na ponta dos pés, com medo de chamar para si a atenção da mãe e da avó que conversavam na cozinha, procurou, um por um, o seu presente.
Mas não havia presente.
Só o passado que guardava com cuidado. Em cheiros e cores. Pra não deixar o presente se sentir sozinho.
Olhou ao redor, sem se assustar com a sala sem bolas, sem luzes coloridas.
Sentou-se junto à janela em retângulo, por onde entrava apenas uma noite escura. Sorriu. Fechou os olhos.
E entregou-se, novamente, aos cheiros do passado companheiro.

Um comentário:

  1. Olivia Maia30/12/10 18:18

    Que lindo!
    beijos natalinos
    Olivia Maia

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