sexta-feira, 15 de abril de 2011

A baixaria da imprensa

          Então, é isso. Um jornalista faz uso do meio em que atua para referir-se a uma mulher como “piranha”, pede desculpas e fica por isso mesmo. Brasil, ah, Brasil! Não se trata aqui de feminismo ou caça às bruxas. Não sou contra a contra a mídia nem mesmo quando fala em excesso, porque, afinal, além das besteiras (e muitas) que escrevem ou falam os jornalistas, levianamente, também escrevem ou falam de e sobre muita coisa necessária, como a denúncia e a exposição de corrupções.
          Mas limite é para todos. Limite é necessário. E já está cansando essa bravata de homens e mulheres que se exibem em páginas ou estúdios de rádio e de TV para humilhar, perseguir, zombar de quem não tem na mão os mesmos instrumentos para falar o que quer. E se acham engraçados. E perdem a noção do que são e do que não são. Até mesmo pelo fato de que sempre encontram seguidores ávidos por mais baixarias.
Pois é, fala-se tanto das baixarias de programas de TV! Censura-se isto ou aquilo que vai macular as crianças (como se em muitos lares de hoje não rolasse todo o tipo de papo e de atitudes adultas em frente dos pequenos!), revela-se tantos segredos de celebridades e de políticos e de empresas e de países... Mas autocrítica, uma visão de autoavaliação periódica, um pouco de humildade, muito equilíbrio e bastante pesquisa não são, nem de longe, uma preocupação dos "deuses" da mídia.
          O jornalista Leandro Fortes, em seu livro Os segredos das redações, diz que o profissional de imprensa deve manter-se longe das “opiniões e impressões subjetivas”. E afirma ainda que ninguém é isento, mas que a objetividade é necessária, e deve vir aliada, além de a outras atitudes, à “impessoalidade”. É justamente disso que se trata a questão.
          Um jornalista — homem ou mulher — não tem o direito de expressar a sua opinião acerca da moral de ninguém. Seja essa pessoa uma rainha, uma cidadã comum, uma assassina ou uma prostituta. Não porque vá causar um incidente internacional, ou um mal-estar nacional, mas porque é deselegante, é incorreto, é machista, é idiota e demonstra uma pobreza de espírito, de vocabulário e de assunto de todo o tamanho!
          No mundo do Séc. XXI, as mulheres fazem o que querem de suas vidas e de seus corpos, à exceção, claro, daquelas que moram em países de orientação retrógrada e repressora (e, mesmo assim, de vez em quando aparecem as que rompem com tudo, apesar das punições insanas). E, no entanto, é visível o incômodo que isso causa a certos homens que se dizem e se consideram inteligentes, espertos e descolados.
Eu poderia perder mais tempo para explicar que chamar uma mulher de “piranha” é a mesma coisa que chamar um homem (de preferência um bem machão) de “brocha”. São pejorativos, ambos os termos. Mas para quê? Para mostrar que a cada baixaria corresponde outra igual e em sentido contrário? E que é assim que o mundo vai mergulhando em intolerância, separatismos, conflitos, guerras? Não mesmo! Eu correria o risco de ser chamada de ingênua, velha, boba e certinha!
          Quero apenas registrar, em protesto, protesto mesmo, que rótulos imbecis não podem sair da boca de um jornalista no exercício da sua profissão. Opiniões pessoais, como diz ainda o mesmo Leandro Fortes, foram feitas para “mesas de bar”, já que longe das câmeras e das redações cada um pode ser o imbecil que quiser.
          O livre arbítrio ainda vigora por aqui neste Brasil de liberdades. Mas a covardia não pode ser tolerada. Nem os covardes que se aproveitam dos instrumentos que têm na mão para atingir indiscriminadamente as pessoas. Esses franco-atiradores da mídia precisam compreender que chega. Chega de falar sem pensar, de escrever sem pesquisar, de se acharem acima dos demais, melhores que os demais, mais inteligentes (?!) que os demais. Chega de desculpas ditas no vídeo com ar de tédio ou deboche. Chega de direitos de resposta que demoram tanto para serem publicados ou lidos que o público já se esqueceu do que se trata. Chega de espertalhões que falam o que querem porque sabem que depois é só pedir desculpas.
          Para eles, como diz uma amiga advogada, só vejo uma saída: os rigores da lei. Punição e afastamento dos veículos de mídia. Até que aprendam a se comportar como profissionais. Ou como homens de verdade. Enquanto isso, não fazem a menor falta.

3 comentários:

  1. O programa em primeiro lugar já é chatinho, só fala bem de NY (que é uma cidade que eu amo e nao tem o que se falar mal de lá) e fala-se mal do Brasil.

    Caio Blinder é formado em Ciências Sociais e relações internacionais na Faculdade de Columbus, e é Doutor Mestre em Filosofia Progressista formado nas Faculdades Socialistas da Colômbia para a Causa Bolivariana FSCCB. Tornou-se correspondente jornalístico para assuntos internacionais e especialista em hiper simplificações partidárias. Toda essa formação cognitiva, não significa que ele tem inteligência emocional. O preconceito, machismo e má educação viraram mesmo moda nesse país e tudo disfarçado de “liberdade de expressão”.
    Beijo Cinthia

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  2. Olivia Maia19/4/11 12:11

    BRAVO... (2)
    beijokas Cinthia

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