segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Pois é, você amadurece

          E então você amadurece. Afinal, é isso o que se espera que aconteça com as pessoas: nascer, crescer, amadurecer, envelhecer, morrer. Tem umas que cortam caminho, infelizmente, e vão embora cedo demais, mas, de um modo geral (e simplista), é por aí.
Você amadurece e descobre um monte de coisas chatas, como as rugas, as preocupações que são somente suas, a insônia, as relações que você passa a enxergar com uma lucidez alucinante, as idas do tipo “eu bato o portão sem fazer alarde”, que se tornam mais frequentes que as chegadas, a capacidade de desistir das urgências e de impedir os sonhos, o medo de morrer. Você amadurece até para entender que tudo isso faz parte, e perdoar a vida.
Mas, e as vantagens?
Quando você amadurece, se permite. Deixa de ir àquelas reuniões chatas de família que só serviam mesmo para você revisitar a mágoa das pessoas. Aquelas em que todo o mundo finge que se ama, mas que no fundo só expõem as feridas abertas da fofoca, da intolerância, das preferências por este ou aquele, por isto ou aquilo. Mães que só enxergam beleza e perfeição nas suas próprias crias, primos se invejando, irmãos se criticando em voz baixa, “barracos” explodindo depois do terceiro copo. Gente que inclui ou exclui você por conveniência, e que lhe diz, em nome da franqueza, tudo o que não permitiria que você lhes dissesse, em nome de nada.
Quando você amadurece, você enxerga. Enxerga quem trata você bem por educação, por interesse, por pena. Enxerga que as relações acontecem porque você vai lá, porque você cultiva, porque você teima. Que se não fosse pela sua insistência (quase chata), ninguém procuraria ou veria você; ninguém se importaria.  E enxerga que pode e quer parar com essa insistência.
Você amadurece e se sente bem em perceber que guarda na memória apenas umas poucas datas importantes: o aniversário dos seus pais que já se foram, dos pouquíssimos amigos que ainda permanecem, do filho ou da filha que você tanto ama, e das contas que sempre cantam parabéns no fim do mês.
Lembra que é muito cedo para desistir, e muito tarde para acreditar. E agradece a quem não foi embora nem mesmo depois que você se tornou essa pessoa chata, amarga, arredia, cética, irascível. Porque esses são os especiais.
Pois é, você amadurece. E aprende que amadurecer é "tipo assim" ligar o foda-se.
E que ligar o foda-se é libertador!

Um comentário:

  1. Olivia Maia3/8/11 20:42

    Quero partilhar desse "longe tão perto". Do ficar por ficar... sempre... além e aquém...
    E me permito dividir o Foda-se para o que há de pequeninez.
    beijos de carinho, moça.

    Olívia Maia

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