sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Tudo azul em 2013!


Para Martha Jovita, que curte muito a cor do Ano Novo


Faz bem, nem que seja de vez em quando, ser feliz. Digo “de vez em quando” porque não dá para afrontar as tristezas com frases de autoajuda, nem fingir que não morrem crianças de fome, nem imaginar que os pedófilos e os psicopatas são figuras da imaginação (quem dera!). Sinceramente, não dá mesmo para passar batido e sorridente pelos cânceres que levam nossos amigos e parentes, pelos suicídios cada vez mais frequentes de gente jovem, de gente desesperada, de gente em profunda depressão, nem pelas guerras,banalizadas pelos governos e pela mídia.
Mas hoje, só hoje, eu quero ser feliz. Eu posso. Em contraponto à convivência não desejada com as tristezas e com as aberrações que desmerecem a vida humana. E se não posso fugir às coisas ruins, que seja. Mas posso permitir-me felicidade, aqui e acolá. Dá licença?
Eu gosto mesmo de Ano Novo. Por mais que tente me fazer de séria, de indiferente, a passagem do ano me enche de uma alegria que eu não sei de onde sai. Chega a fazer cócegas por dentro do corpo, e vai saltando aos pedaços para fora de mim à medida que o dia 31 se aproxima. Minha alegria de Ano Novo dança rock'n roll de salto agulha!
Gosto da cara de "vai dar tudo certo" das pessoas, que resgatam vontades das quais se privam ou são privadas o ano todo. Gosto das luzes que se acendem em todas as casas, das conversas, dos gritos. Gosto das risadas, das roupas, dos encontros, das músicas.
Ano Novo é ansiedade desejada! É dia de pensar em possibilidades para aquecer a alma, de escolher caminhos pra trilhar em linha reta ou torta, de ter sonhos idiotas, de tomar resoluções que nunca serão cumpridas!
E tem as promessas...  Ah, as promessas de Ano Novo! Quem de nós nunca jurou que ia gastar menos, comer menos, brigar menos? Quem nunca tomou sopa de lentilha, bebeu champanha com um dólar dentro, cantou Adeus ano velho, feliz Ano Novo, fez pedidos de olhos fechados, comeu uvas, guardou sementes de romã na carteira, beijou um amor à meia-noite?
Ah, o Ano Novo! Essa coisa simples, acessível, democrática que faz tão bem! Essa data que alguns recriminam sob o argumento de que é ridículo fazer pedidos e promessas a um... ano! Esse dia em que muitos sonhamos e apostamos, por algumas horas, numa felicidade que se chama Amanhã.
Este ano compro um apartamento... Este ano arrumo um namorado bonito, educado, inteligente e que me ame... Este ano coloco meus seios de silicone... Este ano viajo para Paris... Este ano vejo meu filho se formar... Este ano eu paro de beber... Este ano eu saio de casa ... Este ano viro presidente da empresa... Este ano... Este ano...
E Ano Novo tem também a coisa das cores, dos mantras, das mandingas. Calcinha amarela para ganhar dinheiro; rosa para quem quer amor; vermelha, para paixões intensas; branca para ter paz.
Eu, como sempre, fiz questão de anotar a cor de 2013: é o azul. Assim o dizem os pais de santo e outros entendidos no babado forte dos patuás! Mas não é aquele azul do céu, nem aquele outro, dos mantos santos. O azul que vem por aí é o royal, vibrante, atraente, incisivo!
Um ano azul royal é de uniões e casamentos, falam os astros. Delícia! Mas não em seu sentido tradicional. Depois do susto maia de um possível fim de mundo, o sentido de união que esse ano azul nos traz extrapola alianças de ouro, altares de templos.
Esse 2013 azul royal nos convoca a uma revolução do todo, ao amor carnal e não carnal; à simplicidade da amizade; à compaixão; à solidariedade; aos acordos firmados por mente e espírito; ao olhar de compreensão sobre o novo e o diferente; aos bancos de jardim no lugar das casas-prisões; aos papos cara a cara em maior número que os encontros virtuais;  aos abraços apertados muito mais do que aos acenos elegantes.
Estou agitada. Fico assim quando estou feliz, esperançosa. Ando pensando em brindar com o vizinho carrancudo, em desejar coisas boas aos estranhos na rua — mesmo correndo o risco de ser vista como louca ou embriagada. Ando até pensando em ser melhor, fazer melhor.
Enfim, estou assim, deste jeito, boba, boba.
Comigo, está tudo azul!
Feliz 2013!

3 comentários:

  1. Então entremos de azul, não um azul claro, mas um azul royal, escuro, vibrante, feliz. Sejamos Felizes!!! Beijos Martha

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  2. Muito bonito e interessante seu texto. Esse dia em que muitos sonhamos e apostamos, por algumas horas, numa felicidade que se chama Amanhã. Todo amanhã é um dia novo, é dia de recomeçar. Muito obrigada pela informação da cor azul. Parabéns pelas crônicas.
    Gabi

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  3. Que lindo!!! Me lembrei da menina que conheci em Brasilia e que era ampla de vida. Tão sabida que eu secretamente invejava (rsss...)Um pouco disso tudo me habita, talvez não mais a alegria tão explodida de poder vir a ser. Mas a possibilidade de ainda me namora, nalgum cantinho da alma. Beijos e feliz Novo Ano.

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