domingo, 22 de junho de 2014

não te conheço

não te conheço
olho teus pedaços em fotografias que não me pertencem
em quintais onde nunca estive
em mares que navego dormindo no dorso de um peixe 
que ainda não tem nome
não te conheço e por não te conhecer
te faço                     {assim, incubando}
colho perfumes de pele e de sêmen que me alcançam 
em tardes de cinema e preguiça
não te conheço
e assim, distante da verdade, tudo é verdade
(resposta aos meus berros que chamam
acolho a tua parceria sem aval, sem proposta, sem propósito
escuto do teu riso a palavra que mais quero ouvir
e recebo da tua boca mordidas de busca
não te conheço 
e por não te conhecer não me estapeia nada que seja 
ou esteja real
: nenhum descaso; nenhum gesto impaciente
nenhuma despedida sem aviso
não te conheço — te gesto



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